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Privatização do SAAE: os motivos para desconfiar de Altomani

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Desde 2014 temos sido impactados por notícias de que o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, está obstinado em privatizar o SAAE da cidade. De lá para cá moveu diversas ações para tentar consumar o fato e nos brinda com vários fatos que mostram que temos motivos de sobra para desconfiar do prefeito.

Na última terça-feira (02/02/16) o vereador Marquinho Amaral (do PSDB, mesmo partido de Altomani) tomou a tribuna da câmara e disse com todas as letras que lhe fora ofertada a bagatela de 2 milhões de reais para que o então presidente da câmara se encarregasse de aprovar todas as medidas legais que possibilitassem a privatização do SAAE.

Mas não é apenas na denúncia, que por si só é gravíssima, que residem os motivos para desconfiar de Altomani. O prefeito vem fazendo uma administração controversa desde suas primeiras horas. Demonstrando claramente que fez da prefeitura um balcão de negócios, onde só prosperam interesses próprios e de grupos econômicos que “compram” seu espaço na cidade.

No caso do SAAE, o que tem sido ventilado por agentes políticos é a relação entre um possível financiamento eleitoral e uma consequente dívida de campanha a ser paga a um grupo empresarial “dos grandes”.

Não é de duvidar, tanto pelo desespero com que age, inclusive às escondidas como no caso de ter entrado na justiça para derrubar um artigo da Lei Orgânica do Município, quanto pelo fato de que este que hoje é o prefeito de nossa cidade destruiu com diversas políticas de âmbito municipal em benefício de grupos econômicos, exemplos não faltam.

Começou acabando com os pontos de cultura, em que ele destruiu a política, pois não lhe interessavam particularmente e colocou a cidade refém de empresários mainstream da indústria cultural, chegando a destinar R$300 mil para um evento particular (com cobrança de ingressos) no aniversário de São Carlos passado.

Passou pela tentativa de uma completa desestruturação da coleta seletiva na cidade, jogando mais lixo para a coleta convencional, aumentando a demanda do aterro sanitário e regando mais os cofres da empresa de coleta.

E como última medida consumada, virou a mesa minutos antes da aprovação do novo plano diretor (que estava ficando muito qualificado diga-se de passagem), com um objetivo claro de abrir maior espaço para o empresariado ligado à especulação imobiliária e aos rentistas da terra de nossa cidade.

Fala-se por exemplo, em “liberar geral” a urbanização na região do Cidade Aracy após a rodovia, área que cumpre papel ambiental, pois é recarga do aquífero Botucatu-pirambóia e início de vertente do Ribeirão Feijão, uma das captações de água da cidade.

A falta de zelo com políticas públicas e o atendimento de primeira ordem a interesses privados, nos levam a desconfiar sim de que há mais do que aprovação de leis e diretrizes que favorecem ao empresariado, mas que há também um grande balcão de negócios instalado na prefeitura. Onde há isso há aquilo.

Nesta prefeitura hoje em dia não se negociam políticas com base em interesses da população e uma melhor cidade para se viver, mas com base em interesses mesquinhos e privatistas.

Em sua própria coletiva de imprensa, por ato falho ou não, Altomani disse que pertence a uma certa linhagem política. Linhagem esta que envolve FHC, que fez escola com privatizações escandalosas como a da Vale do Rio Doce, além de suspeitas de corrupção na Petrobrás ainda em seu governo; José Serra, em cujo governo se consumou um esquema milionário de cartéis em compras de trens; e Alckmin que mais recentemente está sendo investigado por roubar da merenda que seria servida para as crianças e adolescentes das escolas estaduais.

Motivos para desconfiar não faltam, mas podem ter certeza, nós não vamos ficar parados, essa denúncia de propina é muito grave e terá de ser investigada. Se não forem feitos os esclarecimentos por conta própria do legislativo e do executivo, nós estamos prontos para utilizar os instrumentos necessários para que se apure e puna.

Afora tudo isso, nenhuma privatização (total ou parcial) do SAAE pode ser aceita, não podemos perder mais este patrimônio da cidade de São Carlos para interesses privatistas, mesquinhos desse desgoverno que tomou conta da cidade.

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