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O povo tem o direito de saber e de decidir

O dia de hoje coloca a situação nacional um patamar acima do que já vivíamos. Como toda mudança de situação, há elementos que se clarificam e outros que se intensificam.

É bastante claro que Moro passou do ponto em algumas de suas ações. A prática de injustiças, recorrente na justiça brasileira, que joga na cadeia milhares sem julgamento todos os anos, foi posta em rede nacional com o vazamento de áudios da presidência.

Entretanto, não quero aqui analisar a conduta do juiz, mas sim refletir que esta situação aliada ao desespero de amplos setores da casta política nacional nos coloca diante de um sério risco. O risco de que Judiciário e Partidos Políticos se articulem e manobrem com todas as suas forças para o fim da operação lava jato.

A defesa de que se investiguem todos políticos e todas as obras públicas do país é fundamental para abrir as operacao-lava-jato-9entranhas do poder e iniciar um combate efetivo da corrupção.

As últimas informações divulgadas pela Lava Jato de que a Odebrecht mantinha um “departamento de propina”, com software e tudo e o envolvimento de obras fora do escopo da Petrobras como a Arena Corinthians, em São Paulo, o aeroporto de Goiânia, as obras do Trensurb (trem metropolitano de Porto Alegre) e o Canal do Sertão, bem como a explosiva lista com mais de 200 nomes de políticos que teriam recebido propina mostram a necessidade de que as investigações continuem.

Para isso, porém, não apenas teremos que reivindicar o avanço da Lava Jato, mas também sermos implacáveis na luta para que cessem os abusos e arbitrariedades do judiciário, como as que ocorreram recentemente. Não apenas pelo óbvio e fundamental respeito ao estado democrático, mas também porque é aí que pode residir a mola propulsora do golpe que encerraria a investigação.

Num momento em que situação e oposição se abraçam no fogo, não é de duvidar que qualquer brecha possa ser usada para encerrar a operação e estancar a sangria do regime por cima.

Com deputados, senadores, prefeitos e vários outros atores políticos envolvidos, listados e às beiras de uma delação premiada da Odebrecht, defender que a Lava Jato continue (inclusive apurando seus abusos e eventuais desvios de conduta) é fundamental, bem como sair para a rua por um referendo revogatório de todos os mandatos e a convocação de novas eleições gerais.

Da minha parte, defendo que se convoque novas eleições gerais, e lutarei para que nos deem a chance de fazer esse debate.

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