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Tempo acelerado e disputa acirrada

Ultimamente o tempo parece voar. Sobre o caminhar do tempo, um amigo certa vez profetizou: a história é como um rio. Por vezes seu curso se alarga e passa lento, sem provocar grandes estragos. Assim seria o mundo pré crise econômica.

Por vezes se afunila, passa rápido, há grandes incertezas, os fatos se atropelam, as mudanças são marcantes, tal qual um rio veloz modifica suas margens por onde passa. Assim seria o mundo que viveríamos hoje.

Acertou em cheio.

Não por vidência, mas sim pela capacidade de enxergar o quanto a economia é decisiva para nossa vida cotidiana.

No fim das contas, o motor que acelerou os tempos é a disputa econômica.

No Brasil, por exemplo, nos vendem a necessidade de um ajuste.

“Um ajuste” porque se há desbalanço no livro caixa nacional, existem pelo menos duas possibilidades para equilibrá-lo: diminuir a saída ou aumentar a entrada.

A proposta de Temer, é cortar os “gastos primários”, leia-se os investimentos em saúde e educação, além de reduzir a fatia comprometida com a previdência.

Esta conta, porém, desconsidera que do orçamento nacional a maior fatia, cerca de 43%, é destinada ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

Ora, já que querem reduzir gastos, não poderiam auditar a dívida, como é comprovadamente necessário desde a CPI que identificou[1] pagamentos excessivos?

Há ainda a possibilidade de aumentar a entrada. Nisso, é comum ouvir que os brasileiros não aguentam mais impostos. A maioria dos brasileiros realmente não aguenta. Mas não poderiam implementar o Imposto Sobre Grandes Fortunas[2]?

Alternativas existem, mas o governo já escolheu seu lado, está contra a maioria da população. Dessa escolha vêm as reformas da previdência e trabalhista.

Porém, voltando ao rio, as fortes manifestações dos dias 8 e 15 de março mostraram que nada está definido. Ninguém sabe onde este rio vai desaguar. É aí que reside nossa esperança. O povo é senhor do seu destino. Podemos sim influenciar o rumo da nossa história.

 

 

Dante Peixoto, 30, é Mestre em Engenharia Ambiental e do PSOL São Carlos.

[1]http://www.fenajufe.org.br/index.php/imprensa/artigos/2562-as-ilegalidades-e-ilegitimidades-da-divida-publica-brasileira

 

[2]https://www.cartacapital.com.br/economia/imposto-sobre-grandes-fortunas-renderia-100-bilhoes-por-ano-1096.html

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